Mostrar mensagens com a etiqueta monólogos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta monólogos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de junho de 2008

cartas vãs I

Há muito que não leio nada (interessante pelo menos) talvez por isso sinta algum vazio imaginativo. Aliás nem sei porquê que comecei a escrever este post, senão, por uma estranha urgência que me invade, urgência essa simpatizante de uma qualquer barbaridade amoral. Sinto-me isso mesmo... o paradoxo de uma adolescente num corpo de menina, somente porque me apetece que assim o seja.
Calhou hoje, poderia ter sido em qualquer outro dia. Provavelmente daqui a cinco minutos quando acabar de debitar todo um conjunto de incongruências perceberei o pouco sentido que têm, mas isso é de somenos importância agora que me sinto majestosamente grande e idealisticamente perfeita, agora que observo todas as imperfeições do mundo em mim com o sorriso de uma criança.
Talvez me engane, talvez tudo isto não passe de uma manifestação de egocêntrismo metafísico tipicamente adolescente a que me rendo.
Haverá capitalismo nas almas? Serão os sentimentos globalizáveis? Mas que disparates estou para aqui a escrever... Vou-me calar... Desde quando nos vendemos tanto... como se fosse possível... E daí, talvez seja! Porque não?!
E subitamente tudo ficou patético...
Voltei a "crescer" merda!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

my eyes see things of a secret nature...








Direitos Reservados, Míriam
Mata Nacional de S. Pedro de Moel

Porque gosto de contar estórias, até quando as palavras parecem não chegar...
Porque a fotografia me permite partilhar a natureza secreta do que os meus olhos vêm...

domingo, 22 de julho de 2007

...

One day i'll be on time...
One day...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

tão longo adeus para breve vida

S. Pedro de Moel, 'Descida da Areia', Foto por Míriam

«Há zonas da cidade que evito, uma série de restaurantes onde não penso voltar. Tenho muito medo de te encontrar. Só ou acompanhada, tanto faz. Minto. O ciúme ataca a horas incertas mesmo depois de tudo se julgar acabado. Muito medo de não poder saber de antemão o que vou sentir, como vai ser, não poder antever o golpe. O medo de todas as palavras ridículas, e todas elas serão ridículas, de todos os gestos desajeitados, e não haverá nenhum que possa reclamar como meu. Medo de ficar a pensar violentamente em ti durante horas, sabe-se lá onde, sem conseguir regressar ao normal correr do tempo. Uma intromissão que exige o álcool que se põe, embebido em algodão, na ferida que reabriu para que de novo arda, palavras aflitas de uma conversa em que só eu estou de facto interessado e vou aumentando a parada provocando a memória até que faça doer. E depois o regresso a casa com o corpo anestesiado, a música aos berros, a vontade que tudo se desfaça no instante para o qual falta a coragem. Chegar a casa e agarrar numa última garrafa e nas tuas fotografias até me virem os vómitos, as lágrimas, o ranho que expulse de mim o que guardo no mais fundo e me traz a vida vazia e inútil. Tenho tanto medo de te encontrar que mesmo nunca te encontrando estás mais presente que todos os que vejo girar à minha volta.»

Pedro Paixão, Amor Portátil

domingo, 8 de abril de 2007

coração na boca

Foto Míriam.

«Começaste por perguntar: "Queres acabar comigo?" como se me fosse possível acabar contigo. Nem que te matasse. Se te matasse seria pior ainda, pior do que já sou. Não preciso de te ver para te matar. Preciso só de matar aquilo que sou.
Não te encontrei por acaso. Foi mesmo preciso, uma necessidade da vida, do mundo, não minha. E agora dói tanto continuar a rever-te. Repito para dentro de mim que o passado não existe. Uma fraca estratégia para enganar o futuro.
Quando entraste pela primeira vez no carro já tudo estava decidido. Que não íamos a nenhum lado. Sequer fazer amor. Lembro tão bem as noites em que te pedia morfina, para adiantar o tempo, para atrasar o mundo.
Desfiz-me tanto nas tuas mãos que acabei em páginas de livro.»

Pedro Paixão, Amor Portátil

sábado, 7 de abril de 2007

outrora... hoje...

Foto, Eu @ S. Pedro de Moel.

«Sinto-me tão a mais. Não sentes como me sinto? Quase a enlouquecer. Cheio de medo de amar, tanto medo, mete tanto medo o amor. E depois, imagina tu, o que pode acontecer. Não acontecer nada. É demasiado perigoso, imprevisível, impossível de controlar, deve ser morto logo que apareça, como uma criança antes de o ser. A vida é sempre a mesma e diferente. A náusea, sabes o que é? Se quiseres podes ir ao dicionário. Mas não vais saber. Já te disse, não vale a pena dizer outra vez. Amo-te muito. Não te quero ver. Para fazer o quê? Não me lixes, merda.»

Pedro Paixão, Muito, Meu Amor

terça-feira, 3 de abril de 2007

i guess...

quarta-feira, 28 de março de 2007

Déjà Vu!

Déjà Vu!!
- E fazes-me mal!!... Definitivamente fazes-me mal! O meu estômago contorce-se, a minha expressão muda de figura e só me apetece ‘partir-te a cara’ porque me obrigas a tomar atitudes que abomino… tudo pela tua estúpida cisma de achares que o mundo nasce de ti e para ti, esse movimento ininterrupto com que observas a realidade sem por um momento reflectires sobre o outro ou responsabilizares-te pelas tuas próprias atitudes… Tudo o que hoje tens, por ti foi semeado…
Merda! Gostava que tivesse sido de outro modo…
Tenho dito!...

sábado, 10 de março de 2007

ausência

…Fui buscar-te ao baú das minhas recordações. Estavas pálido e com algum pó mas ainda assim reconheci o teu sorriso. No dia que decidi trancar-te, sabia da inevitabilidade deste momento, a saudade…
Culpas?! Culpados?! Somos todos um dia, fui eu… foste tu… fomos… mas é isso mesmo que nos torna hoje inocentes.
Ficou a tua doçura na minha memória, e do silêncio a minha decisão de abandono. Terminado está…, já não te lembras do meu sorriso, e eu vou esquecendo o sofá azul…
Prefiro pensar que tudo acontece por um motivo, com um propósito. O sentido sempre foi parco nas suas explicações e por isso mesmo deixo-me fluir cada dia livremente, deixando para o outrora o que poderia ter sido e não foi.
Encontrei-te no acaso. Continuas preso… agarrado à maldita e falsa sensação de liberdade que te tolda os sentidos e emoções. Nesse parco instante preferi que mil baldes de água gélida me inundassem o corpo…
Deixar-te partir é por vezes tão difícil e doloroso que sinto a alma em chamas! Mas não é essa a essência do que fica?! A essência de quem amou um dia… inexoravelmente…
Gostaria hoje ter dez anos e amar a perfeição dos momentos, dos gestos, das coisas, sem esperar receber nada em troca. Amar incondicionalmente… simplesmente porque se ama. Sim, porque não é preciso sentido para amar-se… apenas uma qualquer luz que se esquadria na nossa alma e nos aquece nas noites frias. És tudo isso, o calor nos dias frios, a frescura dos verões intensos, a alegria no choro… Mas hoje e agora és somente o meu silêncio distante, de quem já não tem medo de partir sem deixar rastro…
Não precisas de existir em mim, porque ÉS… o teu semblante permanece à medida a que os meus olhos se humedecem, ainda que sem frescura… e tudo se resume à tua ausência, silenciosamente sentida…
…Amanhã é outro dia…

domingo, 28 de janeiro de 2007

fim...


(Lamb, Gabriel)

(...)
i am strong even on my own
but from him I never want to part
(...)


Porque não foi o suficiente...
Sem culpados e/ou vítimas...
assim terminou!...
My angel Gabriel.

domingo, 26 de novembro de 2006

liberdade



(Dead Can Dance, Devorzhum)

Esta noite saí rumo ao hoje e tornei-me no agora que tanto preservo... a liberdade. Talvez faça parte do meu 'lirismo existencial' mas não prescindo da fusão total do meu eu com a natureza, do silêncio das palavras (que mais não são que redutoras formas de expressão de ideias, emoções e sentimentos) e da paz.
A praia estava encantadora, a maré vazia, a rebentação das ondas magnânima. Senti em mim a conciliação do sossego, do abandono perfeito ao momento... E sorri, sorri que nem uma criança, à medida que de braços abertos girava em torno de mim mesma num passo descompassado, até tropeçar (risos).
Nos últimos meses aprendi que viver é uma arte que, tal como qualquer outra, necessita de aprendizagem, perseverança e dedicação. A nossa paz depende disso mesmo, da qualidade dos momentos, dos sorrisos e alegrias partilhadas, do viver o hoje relegando o outrora a recordação.
E penso: 'sejamos pois o hoje em paz, não há fórmulas para a felicidade, mas há paixão, a paixão pela vida, pelo outro, pela dignidade com que devemos ser tratados sem menosprezarmos o nosso valor nem o de outrém, chegar quando é preciso e partir quando é o momento...'
Liberdade é tudo isto, liberdade é perdoar, liberdade é sorrir, liberdade é união, liberdade é amar... incondicionalmente...
Sejamos em paz. Shalom!

'aos meus amigos, que nos bons e maus momentos
sempre me acompanham
independentemente da distância e dos momentos.
a todos vocês, obrigado por fazerem parte
da minha vida e tornarem a minha existência
um sorriso acarinhado.
amo-vos.'
Míriam

depois da tempestade, a bonanza...





Depois da tempestade que tem assolado o nosso país, colocando-o em 'alerta amarelo', este fim-de-semana presenteou-nos com alguma calmaria. A tarde de sábado foi particulamente serena e por isso aproveitei para ir até S. Pedro de Moel. O mar imenso e revolto chegava praticamente ao café da praia num maravilhoso e imperdível espectáculo da natureza.
Há medida em que passeava pela praia aproveitei para tirar algumas fotos. Há muito que não via nada de tão belo e envolvente. Deixo-vos aqui um pouco desta maravilha, espero que gostem.
Beijos.

sábado, 11 de novembro de 2006

sou feliz, estou feliz....



Há males que afinal mais não são que bençãos... Sou uma felizarda!!LOL!!
(Arcade Fire, Rebellion (Lies))

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

how you're plannin' to go about makin' your amends???



A Perfect Circle, 13Th Steph, 'The Noose'

Um dia acordas de manhã e percebes que estás farto(a)!! Hipocrisia, cinismo... gentinha caracteristica para quem só tens valor enquanto lhes podes oferecer alguma coisa. Ter em detrimento de Ser!!
É para essas pessoas a quem dedico esta bela música - uma das minhas preferidas. A sua letra é genial... e sinceramente é tudo o que tenho para te e vos dizer.


A Perfect Circle, 13Th Steph, 'The Noose'

So glad to see you have overcome them
Completely silent now

With heaven's help

You've cast your demons out

And not to pull your halo down

Around your neck and tug you off your cloud

But I'm more than just a litle curious

How you're plannin' to go about makin' your amends

To the dead

To the Dead


Recall the deeds as if they're all

Someone's else's

Atrocious stories

Now you stand reborn

Before us all

So glad to see you well


And not to pull your halo down

Around your neck and tug you to the ground

But I'm more than just a little curious

How you're plannin' to go about makin' your amends

To the dead

To the dead


With your halo slippin' down

Your halo slippin'

Your halo slippin' down

Your halo slippin' down


Your halo slippin' down

(I'm more than just a little curious

How you're plannin' to go about makin' your amends)

[repeated]


Your halo slippin' down

Your halo's slippin' down to choke you now

domingo, 22 de outubro de 2006

uma oração

El Shadday,
na felicidade e no tormento És a minha paz e em Ti confio.

Dam Bo (Sara Tavares, Balancé)
'Dá-me o que tens de Ti, Tu que tens o poder de serenar e alimentar a minha alma. Dá-me o que tens de Ti, Tu que me iluminas e matas a minha sede. Não quero estar só.'

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

o hoje e o sofá azul

Blue couch
Pastel drawing by artist Miles Williams Mathis, Bruges, Belgium

As paredes do meu castelo estão caiadas pela ausência e as noites, agora longas, tornaram-se mais frias que nunca. Pela janela do olhar tento atenuar a solidão taciturna com pequenos monólogos mentais. Murmúrios íntimos de paisagens tranquilas que vivem em mim, a doce brisa que acaricia o momento perfeito de cada pôr-do-sol com que sou celestialmente abençoada.
Nesta imensidão de cores e ternura faço do mar a minha voz e do resplendor o brilho infinito com que teço o vagaroso dos meus dias. Caminho descalça pela areia, a sua textura rugosa afaga-me a alma e renova-me o alento. Na mão carrego apenas um livro com que tento apagar as minhas memórias construindo outras, através das estórias que descubro a cada página. É impossível bem sei, mas gosto de pensar que sim, que posso traçar, num simples gesto, a fantasia de um qualquer lirismo inocente. E sorrio.
Prossigo caminho antevendo a paz na enormidade do fim de tarde. Como se fosse necessário manter-me acordada, molho a face só pelo simples prazer de sentir deslizar o salgado pelos meus lábios agora agridoces. Fecho os olhos e levanto os braços ao céu. Num movimento rápido e circular deixo-me embalar pela brisa dançando a um ritmo que apenas eu conheço, que apenas eu sinto. O ritmo de quem ama deveras as palavras do silêncio e os momentos perfeitos da simplicidade onde, concluo, não há solidão, onde não há ausência… apenas o agora eterno.
As dores começam a sanar. A minha fortaleza começa a ganhar cor, tonalidades quentes que apagam o vazio e trazem consigo gentes, diálogos e partilhas…
- “E o sofá azul?!” perguntas-me.
Respondo-te apenas: “- Está comigo, no meu coração, no imenso que guardo em mim, as memórias retalhadas que tanto me magoaram um dia, o dia em que parti para nunca mais voltar... Quanto ao demais, deixa hoje ser o hoje...”.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

letting go.

Hoje impera o silêncio.
Caminho face a um destino cujo mapa desconheço. Persigo o som, essa estranha e quase insana melodia que parece gritar-me nas entranhas. Já não estás para aparar-me quando cair e magoar os joelhos da alma. Por isso te guardo...
Guardo-te no meu baú de recordações, em que as memórias são como fotografias tridimensionais cheias de cor e movimento. Nele não há distância ou tempo, apenas reflexos, resquícios do outrora onde te tornas a ausência presente.
Entre um sorriso disfarçado e a lágrima que teima em cair, cristalizam-se em mim um turbilhão de emoções que parecem não querer abandonar-me, nem no momento em que o meu corpo descansa num sono profundo. E sonho.
Sonho que não te deixei partir, ouço o teu sorriso e olho os teus olhos. Esses olhos que um dia tranquilamente tocaram os meus. Estás tão perto que consigo sentir-te bem aconchegado a mim no sofá azul. A tua mão acaricia-me o cabelo num gesto simples e perfeito e sorrio de forma inigualável. Tornaste-te a paz brilhante.
Acordo. Tudo não passou de uma doce reminiscência da tua essência, a saudade incontrolável que não se despede e perdura.
‘Amar-te’ foi libertar-te de mim. Deixar-te voar esplendoroso rumo a um caminho que só tu conheces, junto daqueles que escolheste amar.
‘Amar-te’ foi dar-te ao mundo sem resignação, desejar-te feliz... e partir para nunca mais voltar.
'Amar-te é'...

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

paz

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

domingo, 20 de agosto de 2006

Requiem in Pax

"O que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu. Porque tudo converge para ti, em quem tudo existe, e assim te inquieta a certeza de que o universo morrerá contigo. Mas não morre. Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não. E isso é que é incompreensível - morrer tudo com a tua morte e tudo ficar perfeitamente na mesma. Tudo isto tem significado para o teu presente. Mas recua duzentos anos e verás que nada disto tem já significado."

(Vergílio Ferreira, in 'Escrever' )


Enquanto viver, viverás em mim...

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

porque vale a pena pensar nisto...

"Um macaco passeava-se à beira de um rio, quando viu um peixe dentro de água. Como não conhecia aquele animal, pensou que estava a afogar-se. Conseguiu apanhá-lo e ficou muito contente quando o viu aos pulos, preso nos seus dedos, achando que aqueles saltos eram sinais de uma grande alegria por ter sido salvo. Pouco depois, quando o peixe parou de se mexer e o macaco percebeu que estava morto, comentou - que pena eu não ter chegado mais cedo!"

(Mia Couto)